segunda-feira, outubro 11, 2010

... ando estranha...

... muito estranha!!!... na Sexta-Feira passada, depois de uma semana incrivelmente estúpida de: muito trabalho, muitas enxaquecas e muitas insónias; tudo o que eu mais queria era ir para casa enfiar-me na cama! Há uma semana que chove torrencialmente e não me ocorreu programa melhor que: cama, livros, música e chocolates. Assim que saí do escritório decidi fazer uma pit stop no supermercado para comprar mantimentos (chocolates, entenda-se). Ora pois, estou perante o corredor dos ditos e depois de o percorrer algumas três vezes, olho para aquilo tudo e com o ar mais aborrecido, entediado, enjoado e sei lá mais o quê, solto um grande suspiro e: oh! não me apetece nada disto! Ainda tentei o corredor das bolachas, bolachinhas, bolos e afins e até o dos bios que normalmente tem sempre uma novidade qualquer do tipo chocolate com chá verde, ou assim. Nada. O meu cesto de compras resumiu-se a leite e bananas. Açúcar zero. Chocolates nem vê-los. Quem me conhece, eu uma viciada confessa em chocolate, certamente diria que estou doente! (ponto um de estranheza) Chego a casa faço umas torradas, bebo um leite morno com mel e canela, arrumo umas coisas e cama. Apaguei-me às nove da noite. Acordei ao meio-dia de Sábado. Dormi quinze horas. (ponto dois de estranheza, ou normal para quem não tem dormido puto) Passei o dia na cama com "A Vida Inteira" do Miguel Esteves Cardoso, com as devidas interrupções para vária sestas e comer tostas de queijo com banana esmagada. Devo ter adormeci tarde. Não me lembro. Domingo, até acordei animada. Acho que foram dos raios de sol que vieram embirrar com a chuva. Lá fiz de fada do lar. Fiz um almoço decente. E cama comigo outra vez. Desta com "Caim" do José Saramago. Estava eu a ler o Saramago a chamar filho da puta a deus (nem vou comentar. sempre me ensinaram que à mesa não se discute religião, política e futebol. Tento não o fazer fora da mesa também.) e não é que me dá uma súbita vontade de ser natal e estar a enfeitar a dita árvore e de mais decorações? Esta é grave! De novo, quem me conhece, sabe como eu desTesto o natal. Acho uma época hipócrita, consumista, em que tudo é permitido em nome de espírito natalício, que só me dá chatices, arrelias, urticaria e peso na consciência! (ponto três de estranheza) Estás parva! Logo pensei de mim para mim. Acabei o livro, ainda dei uma volta nos sonetos de Florbela Espanca, apago a luz e dou por mim a pensar: miúda, andas mesmo estranha! E começo a rever uma série de situações igualmente estranhas... Eu que não sou puto sensível, não tenho, nem gosto de demonstrações de carinho. Que abomino o beijinho de cumprimento ou outro contacto físico que tal, que não seja com alguém com quem eu tenha uma profunda relação de amizade ou amor, mas mesmo, mesmo profunda, dou por mim a achar carinhoso quando me agarram e me beijam a cabeça. Sabe-me bem quando do nada me pedem um abraço (alguém que não passa de bom dia e boa tarde). Passo uma noite inteira a ouvir um prosa e a gostar e ainda a acabar cada frase do dito com um: prometes? Não me lembro de metade das coisas que me disse e muito menos do que prometeu, mas gravei na memória que, quando dei por mim rodeada de várias das criaturas mais bizarras vistas até hoje e com um total de dois neurónios, gritei por socorro, deu-me um abraço muito, muito forte, daqueles com festinhas nas costas e me disse ao ouvido: shhh, calma, está tudo bem, calma (vários pontos de estranheza!)... Uns dizem que tenho uma leve depressão. Depois de duas, já as reconheço ao longe e nop, não é o caso. Outros dizem que ando apática. Um pouco talvez, mas também não me parece o diagnóstico certo. Carente? Sim, talvez, mas era facilmente resolvido com chocolates e noites de borga rodeada de testosterona, mas nem isso me apetece. Não sei o que tenho,  mas que ando estranha, lá isso ando! Será do tempo?... Oh! Não sei! Mas gostava de poder hibernar até isto me passar!...

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