sábado, maio 19, 2012

... e o que se faz com tanto tempo entre mão?!...

... o que se pode e o que não se pode para não desesperar e com os poucos recursos que há transforma-se uma casa, em que só se vinha para dormir, num lar e tornamos-nos na sua Fada. Inventamos e reeinventamos-nos. Morremos e renascemos vezes sem conta. Choramos mares e prometemos que seremos fortes e que amanhã será um dia melhor. Agarramos-nos ao pouco, ao nada que temos. Agarramos-nos à Vida, ao Amor e aos poucos que nos rodeiam. Sobretudo, tornamos-nos mais atentos, mais sensíveis, mas ávidos, mais criativos e com as nossas mãos devolvemos a vida ao que tinha sido dado como lixo. É verdade do lixo dos outros e algum meu, tenho/temos passado este ano. É incrível o que as pessoas deitam fora, porque não são capazes de ver mais além. E tudo começou com esta antiga cristaleira que encontrámos perto de um ecoponto. Nunca vi um móvel tão mal-tratado! Estava manchado de água, queimado, com cera de vela, riscado, sem portas, uma lástima!! Mas com paciência, dedicação e as dicas de quem sabe, recuperámos e demos vida ao lixo de alguém, em apenas dois dias...
o nosso primeiro móvel - a cristaleira azul
... estava tão ansiosa por pegar nele e ver o que conseguíamos fazer que esqueci-me de tirar uma foto antes do restauro. Já estava sem as portas de vidro que eram impossíveis de repor devido à calha estar muito frágil e as gaveta, que também não tinha, optámos por não pôr para não elevar o custo do restauro. Assim só gastámos dinheiro em tinta, no vidro da prateleira central e numa fechadura nova. Outro material técnico, como lixas, tapa-poros, puxador e dicas foi-nos cedido pela minha cunhada. Gracias M.! Originalmente o puxador era um daqueles enormes que atravessava a porta na diagonal. Como o puxador não existia e os seus buracos estavam em demasiado mau estado, em vez de os recuperar e para dar um ar mais levar, tapámos os buracos e fizemos um novo furo e colocámos um puxador mais pequeno e discreto. Não sei se conseguem reparar que é da cor da parede. Originalmente era castanho escuro. Madeira. Da cor da caixa que está por baixo, mas para lhe dar vida quisemos pintar de uma cor forte e como a sala é pequena insisti para que fosse dar cor da parede. assim funde-se com a parede e não se nota o grande que é. Visualmente ocupa zero espaço! Com a pica do móvel, transformei uma caixa de pinho, daquelas que nos oferecem com sabonetes e afins, que andava para aqui e dei um novo ar a uma moldura que comprei há uns quantos anos e era demasiado escura e pesada e da qual estava farta. Mais uma vez esqueci-me das fotos do antes...
lado 1
lado 2
lado 3
lado 4
vista de cima
a concentração no meio do pó!
... esta caixa despeja-bolsos foi a minha primeira experiência de talha. Não é fácil esculpir madeira, mas o resultado é muito gratificante. Depois de tudo isto, a moldura foi peanuts! Lixar e pintar...
... mostro mais restauros a seguir, que este post já vai grande...

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