quinta-feira, novembro 13, 2014

... seis meses de puro mimo...

... desde que o meu Caramelo faleceu em dois mil e oito, que me recusei a ter mais animais de estimação. A dor de o perder foi tão grande, tão irreal, tão sem nexo. Como é um animal que sempre foi super saudável de repente lhe aparece um tumor na boca e em um mês se vai? Lembro-me perfeitamente do dia em que o apanhei da rua. Era dia vinte e quatro de Dezembro, chegava de casa da minha tia, das férias de Natal, a minha avó tinha falecido um mês e pouco antes. Aproximo-me do prédio onde morava com os meus pais e vejo uma bola gigante de pêlo a correr na minha direcção como se me conhecesse desde sempre. A minha mãe não queria, o meu pai torceu o nariz, mas eu e os meus quatorze anos, não demos hipótese e aquele gato já adulto e cheio de vícios e manias seria a partir daquele momento o meu melhor amigo. E assim foi durante os meus anos mais difíceis. Obrigava-me todas as manhãs a sair da cama quando o despertador tocava, esperava-me todos os dias à uma em ponto quando eu chegava da escola para almoçar, não saia da minha cama quando eu estava doente, acompanhava-me nas longas noites de estudo e obrigava-me a deitar quando já era demais. Era o meu gato, só meu. Mais ninguém lhe tocava. Só eu lhe dava banho, escovava, cortava as unhas. Só eu lhe dava mimo. O seu mimo era só meu. Sofri quando saí de casa e não o pude levar comigo, mas visitava-o quase todos os dias ao príncípio e depois menos - sofria muito quando eu me vinha embora e, eu também...
... Caramelo...
... seis anos depois aqui estou eu completamente apaixonada pela nossa Guernica. Há imenso tempo que Mi Amor me implorava para adoptarmos um gato. Ele sempre teve gatos e morria de saudades da sua Lua. Mas eu não me imaginava a ir a um gatil. A Boneca, a minha primeira gata, o meu pai tinha apanhado da rua ainda com meses - a minha mãe não a aceitou bem e não durou muito tempo lá em casa. O que eu sofri - o Caramelo, apanhei eu à porta de casa, o Weisse, apanhou a minha mãe dois anos depois também à porta de casa. Apareceram-nos todos na nossa vida. Escolheram-nos. Ir ao um gatil e ter de escolher entre dezenas de gatos, não seria, não fui capaz. Até que a R. me diz que a Zuka, a sua gata estava grávida e o pai era o Kronk, o seu gato. Trabalhávamos juntas e sempre falávamos da evolução da gravidez e se eu não queria pensar melhor e ficar com um bebé e acabei por ceder. Quando fizeram três semanas e já interagiam, lá fomos escolher. Estívémos mais de uma hora sentados no chão a brincar. Era impossível decidir qual dos quatro bebés era o mais giro e com qual queriamos ficar. Eu já estava a desesperar e quase a desistir. Nisto pequena Guernica, vem e começa a brincar com os meus atacadores (até hoje são os ténis preferidos dela para brincar) e não larga e quando a colocámos no colo, começou a ronronar e aninhou-se a receber festinhas. Aos dois meses veio para casa e desde então tem sido quase como uma filha. É super sociável e brinca com toda gente, até com o senhor que vem fazer a leitura do gás. É uma super companhia, a nossa sombra e incrivelmente carinhosa. Hoje faz seis meses que cá está e que quase todos os dias dizemos que sorte temos em ter uma gata assim, meio gata, meio cão, meio macaca, meio cavalo. Amanhã faz oito meses de idade...
... Guernica...

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