quarta-feira, janeiro 21, 2015

...madrugadora, eu?...

... não sei bem quando é que me tornei numa pessoa madrugadora, mas agora nos dias em que acordo tarde e que salto na cama para o gym, parece que o meu cérebro não acorda de todo. Não sei se é do choque de repente estar na cama e hora e meia depois andar aos pulos e pendurada em argolas e barras, já para não falar dos pesos me põem no lombo, mas sem a minha rotina matinal de três horas com o meu duche, o meu pequeno-almoço descansado, lento e demorado enquanto leio os emails, vejo as novidades online, brinco com a Guernica e arrumo a casa, o Tico e Teco teimam em andar o dia todo às cabeçadas um ao outro e não colaboram. O ideal é saltar da cama às seis, sete da manhã para que o dia flua. O que por norma corre bem graças à Dona Guernica que o que mais gosta de fazer é tirar-me da cama bem cedo para brincar. Às cinco e meia começa de mansinho a fazer-me festas e às seis, seis e meia já está modo quero brincar quero brincar... 
... toda a vida acordei tarde, o mais tarde possível. Deixarem-me dormir toda a manhã era o meu maior presente. Exasperava pelas férias. Ter de acordar cedo para ir às aulas era uma guerra. O despertador a apitar de um lado, a minha mãe aos gritos do outro. Uma verdadeira tortura. Quando finalmente me levantava, ficava pelo menos uma hora sem abrir a boca a não ser para enfiar qualquer coisa no estômago. Isto foi assim desde sempre. Lembro-me que os meus pais se deitavam tarde e enquanto a casa não estivesse completamente às escuras e em silêncio não conseguia dormir e ficava tipo frango no churrasco às voltas na cama. Quando cheguei à faculdade e ainda nos últimos anos do liceu adoptei a técnica de ir dormir depois de almoçar quando só tinha aulas de manhã e acordava só para jantar. Depois ficava toda a noite acordada a estudar, a ler a ouvir música e quando chegava a hora de ir para a escola tomava um banho, o pequeno-almoço que na época era um espectáculo, ui (!): um galão muito muito escuro, um pão com manteiga e um cigarro. Muito nutritivo, não? Pois, na altura ser saudável ainda não estava na moda ;). Escusado será dizer que quando comecei a trabalhar e a ter um horário das nove às seis, foi o fim do mundo em cuecas e uma luta diária para acordar e estar bem-humorada. Sempre funcionei muito melhor de noite. Sempre adorei a noite. Especialmente as noites de verão em que fazia intervalos no estudo e vinha para a rua fumar e curtir o calor - sim há quinze anos ainda havia noites de verão. O cigarro sempre foi um bom motivo para se fazer um break. Hoje é o chá. Hoje acordo cedo e fico muito, mas mesmo muito zangada quando não o faço, Hoje já não funciono bem de noite, a partir das dez, onze já estou a babar. Será que estou a ficar velha? São os velhos que acordam cedo, não são? São os livros que leio de como ser uma pessoa mais eficaz, em que defendem que temos de nos levantar às cinco da manhã? Calma lá meus senhores, não vamos exagerar, sim! É o meu corpo a preparar-me para os filhos que não vai ter? O putos também acordam sempre super cedo, não é? Os putos e os velhos, certo? Ou o quê? Quando é que me tornei numa pessoa do dia e deixei de ser uma pessoa da noite?...

Sem comentários: